FinOps: TI ou cultura? – na voz da Tech Buyer especialista

FinOps: TI ou cultura? – na voz da Tech Buyer especialista

Confira a entrevista com a Claudia Seffrin, Gerente FinOps do Grupo Boticário e Embaixadora da FinOps Foundation no Brasil. Claudia é graduada em Ciências Contábeis, pós graduada em Engenharia de Produção e Agronegócio, com especialização em Finanças Corporativas pela Ohio University. Com mais de 10 anos de experiência, atuou em empresas dos segmentos de Transporte e Manufatura.

 

A experiência pessoal de Claudia Seffrin ao conectar Finanças e Tecnologia

Quando você pensa em Finanças e Tecnologia, talvez imagine dois mundos completamente distintos. No entanto, a trajetória de Claudia Seffrin demonstra como essas duas esferas podem ser mais interligadas do que aparentam. Claudia sempre teve uma paixão pelo mundo financeiro; formada em Finanças, ela dedicou mais de uma década de sua vida profissional ao planejamento estratégico e outras áreas financeiras. Foi a partir de 2020 que ela fez uma migração de carreira que marcou sua vida: o salto para o universo da tecnologia.

“Meus olhos brilharam”, diz Claudia sobre sua primeira interação com o mundo da tecnologia. Uma entusiasta de números e estratégias, ela se apaixonou imediatamente pelo campo, fascinada pelas inúmeras possibilidades que a tecnologia poderia oferecer. O que realmente capturou sua imaginação foi a ideia de aceleração – não apenas aceleração pelo bem da velocidade, mas uma aceleração estratégica e significativa. “A tecnologia permite que você acelere as coisas de uma maneira boa, trazendo mais agilidade”, ela explica.

Um dos seus primeiros projetos no mundo tecnológico foi a migração da infraestrutura do Grupo OBoticario para a nuvem. Claudia estava entre as pessoas responsáveis pelo estudo e planejamento desse movimento estratégico, algo que muitas empresas têm feito para ganhar escala e agilidade. Ao aprofundar-se na tecnologia de cloud e na infraestrutura que a sustenta, ela percebeu que seu histórico em finanças poderia ser um ativo inestimável. O resultado? Claudia conseguiu fundir suas duas paixões: números e tecnologia, para criar valor e gerar resultados.

Claudia é, sem dúvida, um testemunho vivo de como a tecnologia e as finanças podem caminhar juntas para agregar valor e eficiência. E foi aí que ela se deparou com o mundo do FinOps, um universo que conecta finanças e operações tecnológicas para maximizar o retorno sobre os investimentos em tecnologia.

Então, FinOps é sobre TI ou é sobre cultura? A resposta pode ser complexa, mas a jornada de Claudia sugere que possivelmente seja um pouco dos dois.

 

Conceito geral – definição de FinOps

O termo FinOps é relativamente novo, mas tem despertado grande interesse tanto no universo tecnológico quanto no financeiro. Claudia aponta que o conceito de FinOps não representa apenas um cargo ou uma função específica dentro de uma empresa, mas sim uma disciplina. Isso significa que ela deve estar integrada em toda a organização, e não ser apenas uma função centralizada em uma equipe específica. Essa perspectiva é vital porque o foco está na operação como um todo, ligando aspectos financeiros e tecnológicos.

 

Operação de Tecnologia com Olhar Financeiro

No cerne do FinOps está o entendimento das finanças do modelo de operação. Se estamos falando de tecnologia, geralmente isso está relacionado à operação em ambiente de cloud. O objetivo é entender custos em um nível granular: quanto custa manter um produto digital, uma aplicação ou até mesmo um website? Isso é fundamental não apenas para visibilidade mas também para eficácia operacional. Quando você sabe quanto custa manter uma aplicação, você pode começar a estabelecer métricas e indicadores de desempenho, cruzando informações para entender se a operação é eficiente, se vale o investimento e onde podem ser feitas otimizações.

 

CapEx e OpEx: Mais que apenas custos operacionais

A pergunta sobre se FinOps abrange apenas custos operacionais ou também investimentos em projetos é muito pertinente. Claudia esclarece que, embora o foco principal possa ser os custos operacionais, a abordagem financeira da disciplina é suficientemente flexível para considerar, por exemplo, a capitalização de investimentos em inovação e pesquisa e desenvolvimento.

Em situações de aplicações em ambientes on premisses, os investimentos em infraestrutura também devem ser considerados nos cálculos, bem como seus custos de sustentação e valores de depreciação.

 

Quem deveria “cuidar” de FinOps?

Claudia sugere que FinOps seja mais eficaz quando está sob a alçada da estrutura de tecnologia da empresa, mas com uma forte interligação com o departamento financeiro. Isso porque a estrutura técnica está mais apta a fornecer previsões e insights mais precisos sobre o uso de tecnologia, enquanto a equipe financeira é fundamental para traduzir esses dados em indicadores financeiros e resultados de negócios.

Apesar de haver um líder em especial, por ser uma disciplina, FinOps deve permear por todos os departamentos e equipes. Não é suficiente ter um único time responsável; a visão deve ser cruzada e integrada em todas as áreas da empresa. A ideia é que esta não seja apenas uma tarefa de relatório de custos, mas uma parte integral da estratégia da empresa para otimizar a eficiência e o valor em suas operações.

A responsabilidade em FinOps deve ser compartilhada por todos, com forte senso de ownership, incluindo desenvolvedores, arquitetos e engenheiros. Isso permite uma operação mais eficiente e uma melhor otimização dos custos.

Em resumo, FinOps é mais do que um termo da moda; é uma disciplina que une o melhor de dois mundos, financeiro e tecnológico, para criar organizações mais eficientes, ágeis e conscientes dos seus investimentos e operações. É uma revolução silenciosa que está ocorrendo nas interseções das empresas, e que promete ser cada vez mais relevante na era da transformação digital.

 

Os skills e a cultura necessários para atuar em FinOps

Dentre as áreas chave de atuação de um time de FinOps estão os conhecimentos em cloud e seus custos de utilização, a capacidade de realizar análises de performance e benchmark, capacidade de tomar decisões em tempo real, conhecimento para otimizar as taxas de consumo de cloud, e capacidade de gerar alinhamento organizacional. Mais além dos conhecimentos técnicos e experiência em governança organizacional, o trabaho sobre essa disciplina requer algumas características culturais no relacionamento dos times. A seguir são apresentados alguns elementos de mobilização e aspectos culturais a serem considerados.

  • Centralização ou descentralização: grandes empresas podem se beneficiar de uma estrutura de FinOps centralizada, que pode então ser descentralizada nos diferentes setores. Isso faz parte da cultura necessária para implementar o FinOps com sucesso. Em empresas menores, pelo menos uma pessoa precisa ser responsável por liderar os esforços em FinOps.
  • Comunicação e visibilidade: não basta simplesmente ter relatórios e números; é necessário ter um entendimento profundo e uma abordagem cultural para implementar as melhores práticas. A cultura deve ser cultivada a partir da visibilidade: quanto mais pessoas tiverem acesso a informações relevantes, mais fácil será implementar a mentalidade de FinOps.
  • Sensibilização – educação e treinamento: não é comum que cursos universitários de ciência da computação incluam matérias dedicadas à eficiência de custos em infraestrutura em nuvem. Portanto, treinamentos específicos e sensibilização são necessários para que a equipe entenda os princípios do FinOps e saiba como implementá-los na prática.
  • Conexão multidisciplinar: um time eficaz de FinOps é aquele que é multidisciplinar, combinando habilidades em finanças e tecnologia. Isso permite uma abordagem mais completa, desde a análise dos custos até a implementação de soluções técnicas para otimização.
  • Reconhecimento: por último, mas não menos importante, é vital reconhecer os esforços e sucessos do time. Isso não apenas incentiva a continuidade do bom trabalho mas também ajuda a fortalecer a cultura de FinOps dentro da organização.

Ao abordar esses temas, empresas de todos os tamanhos podem começar a implementar uma estratégia de FinOps bem-sucedida, centrada tanto nas habilidades técnicas quanto na cultura organizacional.

 

A importância de FinOps para as empresas e os profissionais

O cenário atual das organizações modernas é inegavelmente centrado em tecnologia, e com o crescente consumo de serviços de nuvem, a disciplina de FinOps nunca foi tão relevante. No entanto, o que realmente significa “resultado” em termos de FinOps, tanto para as empresas quanto para os profissionais envolvidos?

O Que as Empresas Ganham?

 

  • Eficiência Operacional: com práticas de FinOps, as empresas conseguem garantir uma operação tecnológica escalável, segura e eficiente. Isso não apenas otimiza o tempo de processamento e reduz a latência, mas também proporciona uma entrega de serviço mais eficaz.
  • Governança e Sustentabilidade: FinOps não é apenas sobre custo, mas também sobre criar um modelo operacional sustentável. Isso significa manter documentações adequadas, alertas e monitoramento, facilitando a governança corporativa.
  • Otimização de Custo: talvez o mais tangível dos benefícios seja a economia de custos diretos. Com uma visão detalhada e monitoramento do uso de recursos, as empresas podem realocar orçamentos, investir em novos projetos ou aumentar a lucratividade.

 

O Que os Profissionais Ganham?

 

  • Capacitação e Visibilidade: profissionais equipados com habilidades de FinOps têm a capacidade de ver “além do código”. Eles não apenas constroem e mantêm sistemas, mas também compreendem o impacto financeiro de suas decisões técnicas.
  • Crescimento de Carreira: à medida que a importância de FinOps continua a crescer, os profissionais com essa competência tornam-se cada vez mais valiosos para as organizações.
  • Papel Estratégico: engenheiros e desenvolvedores deixam de ser vistos como centros de custo e passam a ser considerados como participantes ativos nas estratégias de otimização de custos e eficiência operacional.

 

Dicas para otimizar a atuação em FinOps

Público Geral: dentre os maiores desafios para o sucesso da disciplina FinOps está fazer com que os engenheiros se importem com os custos, além do desempenho técnico. Isso pode ser conseguido através de treinamentos e workshops que integram FinOps ao ciclo de vida do desenvolvimento. Além disso, é importante trazer visibilidade e monitoramento de métricas como um dos primeiros passos para otimizar custos, conhecendo onde eles estão e gerando sensibilização no time. Ferramentas de monitoramento e painéis podem fornecer essa visibilidade, não apenas para o time de FinOps, mas para todos os envolvidos. 

É interessante, ainda, trazer benchmarks do mercado para a conversa, como os dados disponibilizados nos reportes anuais The State of FinOps, realizados pela FinOps Foundation.

Já para promover uma cultura na qual FinOps seja uma responsabilidade coletiva, deve-se prezar por uma comunicação transparente e incentivar a colaboração entre os departamentos financeiro e técnico. Isso vai desde a importância de plataformas de análise até a crucialidade do alinhamento entre os times de suprimentos e tecnologia nas empresas. Vamos terminar com uma nota otimista para ambos os lados do mercado.

Para Tech Buyers:
Vivemos em uma época incrível onde as possibilidades tecnológicas estão crescendo a um ritmo jamais visto. Para compradores, nunca houve um momento melhor para investir em soluções que podem transformar seus negócios. As ferramentas disponíveis atualmente são vastas, versáteis e mais acessíveis do que nunca. No entanto, essa abundância também exige de vocês um discernimento cuidadoso e uma análise rigorosa para fazer as escolhas certas. Lembrem-se, vocês não estão sozinhos nessa jornada. Aliem-se aos seus times técnicos, pesquisem, questionem e busquem sempre o melhor valor, não apenas o menor preço.

Para Tech Sellers:
Para os vendedores de soluções e serviços de tecnologia, o campo está aberto e as oportunidades são infinitas. Mas, a concorrência também nunca foi tão feroz. Cada interação com um potencial cliente é uma chance de demonstrar o valor real que você pode trazer para a mesa. Não se trata apenas de preço, mas de entender verdadeiramente as necessidades de seus clientes e de alinhar suas soluções para atendê-las de forma eficaz.

O futuro é brilhante e está cheio de desafios emocionantes, mas também oportunidades infinitas. Em meio a toda essa complexidade, o sucesso virá da colaboração, do entendimento mútuo e da busca constante por inovação e aprimoramento. Que todos nós possamos aprender a falar a “língua” uns dos outros um pouco melhor, para que juntos possamos criar soluções mais eficazes, eficientes e, em última análise, mais humanas.

 

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