Transformação Digital em Supply Chain

Transformação Digital em Supply Chain

Confira o conteúdo compartilhado pelo Tech Buyer e especialista em Supply Sandro Mendes, com mais de 17 anos de atuação nacional e internacional na área para diferentes indústrias: Mineração, Energia e Manufatura. Sandro já atuou nas áreas de logística e suprimentos, e liderou projetos importantes em transformação digital. Atualmente é Líder e Consultor Sênior em projetos de Supply Chain e Logística. Formado em administração, com MBA na FAENE e na FGV, Sandro tem diversas especializações, sendo a mais recente conquistada pela Wharton Executive Education.

 

A jornada de Sandro Mendes em Supply e projetos de Transformação Digital

Sandro inicia a entrevista compartilhando sua trajetória e comenta como a formação em Administração trouxe insights valiosos sobre a Transformação Digital no setor de Supply. Dentre suas diferentes experiências, seu projeto mais notável foi a automação de um centro de distribuição fora do Brasil: em apenas seis meses, transitou de um sistema manual para outro quase totalmente autônomo. Esse desafio envolveu a aplicação da metodologia Business Process Management (BPM) para revisar processos e entender as necessidades de habilidades e tecnologia da organização.

Mendes destacou a importância de integrar pessoas, processos e tecnologias para o sucesso de projetos de Transformação Digital. Enfatizou a necessidade de alinhar a equipe com a nova cultura digital, redesenhar processos para operações autônomas e eficientes, e decidir entre adquirir tecnologia ou contratar serviços de consultoria. A implementação incluiu o uso de machine learning e algoritmos de aprendizado, transformando o centro de distribuição em um sistema autônomo que gerenciava mais de 30.000 itens diariamente.

O projeto enfrentou desafios significativos, particularmente em preparar as pessoas para a mudança e entender a cultura digital e as tecnologias disponíveis. A maturidade digital da empresa foi crucial para o sucesso do projeto, demonstrando como a integração eficaz de pessoas, processos e tecnologia pode resultar em operações mais ágeis e adaptáveis ao futuro.

 

Principais características e desafios para a digitalização do Supply Chain

Ao abordar a digitalização em Supply Chain, Sandro Mendes identifica vários elementos cruciais e desafios. O primeiro passo essencial é o patrocínio da alta gestão executiva. Sem o apoio e o engajamento da liderança, as iniciativas de transformação digital podem falhar em alcançar seus objetivos. 

Em seguida, Mendes destaca a importância de estabilizar e reorganizar a operação, enfatizando a necessidade de revisitar e redesenhar processos e sistemas para entender o ponto de partida atual e a direção futura.

Outro aspecto vital mencionado por Mendes é a personalização da abordagem de transformação digital. Cada empresa possui desafios únicos; portanto, não existe um modelo padrão que funcione para todos. A compreensão do ambiente de negócios, o planejamento estratégico, e a definição de orçamento são fundamentais. Mendes também refuta o estigma de que a transformação digital é exclusiva para grandes empresas com grandes orçamentos, argumentando que ela pode ser realizada incrementalmente e adaptada às necessidades específicas do negócio.

Por fim, a gestão de dados surge como um desafio central. A confiabilidade da base de dados é crucial para responder dinamicamente às mudanças do mercado. Além disso, a transformação digital em Supply Chain não se limita ao ambiente interno da empresa; ela envolve uma série de agentes externos, como fornecedores, comunidades e agentes políticos. A integração e colaboração com esses parceiros são essenciais, exigindo uma abordagem holística e sistêmica. Mendes conclui destacando que a transformação digital é uma jornada contínua, não apenas um projeto, e envolve a digitalização de processos em toda a organização, não apenas em Supply Chain.

 

Perfis de projetos usualmente priorizados em tecnologia para Supply

A digitalização do Supply Chain envolve diversos projetos que podem ser priorizados para otimizar operações e aumentar a eficiência. Sandro Mendes enfatiza a importância de começar com projetos simples e escalar gradualmente para tecnologias mais complexas. Os projetos mais comuns e prioritários incluem:

  • Colaboração na Cadeia de Suprimentos:
      • Esse perfil de projeto busca melhorar a comunicação e a colaboração entre os diversos parceiros da cadeia.
      • A implementação de plataformas e ferramentas que facilitam essa colaboração é fundamental.
      • O objetivo é promover uma comunicação eficiente e descentralizar a informação.
  • Visibilidade em Tempo Real:
      • São projetos que focam na obtenção de informações atualizadas sobre o status dos produtos e operações.
      • Isso permite identificar e sinalizar problemas logo no início do processo, melhorando a resposta a desafios operacionais.
      • A visibilidade ponto a ponto da cadeia é crucial para o sucesso desta iniciativa.
  • Automação de Processos Repetitivos:
      • Visa-se automatizar tarefas transacionais e rotineiras que não agregam valor direto.
      • O uso de Robotic Process Automation (RPA) e outras ferramentas como Power Automate para simplificar esses processos.
      • Essa automação visa aumentar a eficiência e reduzir erros operacionais.

Mendes também destaca os desafios encontrados nas organizações ao implementar esses projetos, a saber:

Preparação das Equipes para a Cultura Digital:

  • Avaliar como os times estão se adaptando à cultura digital e à inovação.
  • Desenvolver habilidades necessárias nos colaboradores para suportar a transformação digital.
  • Um relatório da Deloitte em 2023 indicou que 60% das empresas estão em processo de implementar a digitalização.

Definição de Objetivos Estratégicos e Alinhamento de Esforços:

  • Alinhar os objetivos da transformação digital com as metas estratégicas da empresa.
  • Identificar quais atividades demandam esforço e quais geram resultados significativos.
  • Priorizar projetos que alavancam a visão de ponta a ponta do Supply Chain.

Integração e Colaboração entre os Stakeholders:

  • Reconhecer que a área de Supply Chain não opera isoladamente.
  • Envolver todos os stakeholders internos e externos em projetos de transformação.
  • Fomentar a contribuição de diferentes áreas para garantir uma implementação efetiva.

Em resumo, os projetos de tecnologia em Supply Chain devem ser escolhidos com base em sua capacidade de facilitar a colaboração, aumentar a visibilidade e automatizar processos. A implementação bem-sucedida desses projetos depende da preparação adequada das equipes, do alinhamento estratégico e da colaboração efetiva entre todos os stakeholders envolvidos.

 

Cultura para inovação nos times de Supply

Neste capítulo, abordamos a importância de fomentar uma cultura de inovação entre os profissionais das diversas áreas de Supply Chain, como compras, armazenagem e logística. Sandro Mendes oferece conselhos valiosos para aqueles que desejam se aproximar dos temas de inovação e se sentir mais confortáveis e confiantes nesse ambiente.

Desenvolvimento de Conhecimento e Educação

Mendes enfatiza que o primeiro passo para aproximar-se da inovação é buscar conhecimento. A educação sobre transformação digital e inovação ainda é um desafio no Brasil, e é essencial entender o papel de cada um nesse processo. Ele sugere que os profissionais se perguntem qual é o seu papel no projeto de transformação digital dentro do Supply Chain e da Logística.

Integração de Áreas e Funções

Mendes ressalta a importância da integração entre as áreas de Supply Chain e Logística. Em algumas empresas, essas áreas são vistas separadamente, enquanto em outras, são integradas sob um único executivo. Para uma implementação eficaz de projetos de transformação digital, é crucial entender como a fabricação, o suprimento e a logística estão interligados, desde a obtenção da matéria-prima até a entrega ao cliente final.

Simplificação e Colaboração

Outro ponto destacado por Mendes é a necessidade de simplificar os processos. Na transformação digital, há uma tendência de criar complexidade, o que pode ser um obstáculo. Ele sugere que os profissionais explorem as ferramentas disponíveis e considerem a consultoria se houver dificuldades significativas na implementação de projetos de grande escala.

Superando o Medo e a Timidez

Mendes observa que muitos profissionais sentem medo ou timidez ao discutir inovação, muitas vezes devido à falta de conhecimento. Ele encoraja a participação ativa nas discussões, compartilhamento de dúvidas e desafios, e a busca por soluções colaborativas. A inovação é inevitável, e a melhor abordagem é se envolver ativamente, superando o medo e contribuindo com ideias e soluções.

Para impulsionar a inovação nos times de Supply, é crucial investir em conhecimento, promover a integração de funções, simplificar processos e encorajar a colaboração e comunicação aberta. Ao superar barreiras como o medo e a timidez, os profissionais podem contribuir significativamente para a transformação digital e inovação dentro de suas organizações.

 

Dicas para profissionais de Supply Chain que aspiram se aproximar de modelos digitais de operação

O primeiro passo crucial é compreender profundamente as dores e necessidades dos clientes. Isso envolve um mapeamento detalhado dos desafios e tendências do mercado relacionados à transformação digital. Sandro Mendes ressalta a importância de identificar os problemas específicos que os clientes enfrentam e as expectativas em relação às soluções oferecidas. Este entendimento é essencial para apresentar soluções eficazes que atendam às necessidades reais dos clientes.

Outro aspecto importante é o foco na especialização. Profissionais e empresas devem reconhecer suas forças e limitações. Ao invés de tentar resolver todos os problemas, é mais produtivo se concentrar nas áreas em que se tem expertise. Para as questões fora de sua especialização, estabelecer parcerias com outros fornecedores ou especialistas pode ser uma abordagem mais eficaz. Isso ajuda a criar um ecossistema de soluções abrangentes, permitindo atender às diversas necessidades do cliente de maneira mais completa e integrada.

Finalmente, é vital para profissionais e empresas de Supply Chain se verem como parte de um ecossistema maior. Isso envolve não apenas a interação com clientes e fornecedores, mas também a colaboração com diferentes stakeholders. Criar e manter um ecossistema colaborativo, onde informações, recursos e competências são compartilhados, pode levar a soluções mais inovadoras e eficientes.

Em resumo, para se aproximar com sucesso dos modelos digitais de operação em Supply Chain, é essencial entender as necessidades dos clientes, focar na especialização, estabelecer parcerias estratégicas e construir um ecossistema colaborativo. Essas ações ajudarão os profissionais a oferecer soluções mais efetivas e a se manterem competitivos no mercado dinâmico de hoje.

 

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Confira a entrevista na íntegra:



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