Agentes de valor: por que a próxima fronteira da IA vai além do chat
Durante o Reconectar, realizado em 19 de março no SEBRAE Paraná, uma provocação importante ganhou espaço: estamos usando inteligência artificial de forma muito mais simples do que ela realmente permite.
Na palestra “Agentes de Valor: além do chat e a nova fronteira da Inteligência Híbrida”, o Professor Dr. Marcus Garcia de Almeida, pesquisador CAPES/CNPQ do Grupo TEIA (Tecnologia Educacional e Inteligência Artificial) na UFPR e CEO da Profissionais Consultoria Ltda., trouxe uma visão mais ampla sobre o papel da IA nas organizações. Em vez de focar apenas em ferramentas, ele propôs uma mudança de perspectiva, tratando a IA como um sistema capaz de apoiar decisões complexas e gerar valor real.
IA como tecnologia pervasiva e acelerada
A IA foi apresentada como uma tecnologia pervasiva, ou seja, que está presente em todos os aspectos da sociedade sem que nos demos conta disso, assim como aconteceu com o smartphone. A diferença está na velocidade. Enquanto outras tecnologias levaram décadas para se estabelecer, a IA generativa está avançando em um ritmo muito mais acelerado, e já se aproximando de um estágio produtivo em larga escala.
Esse movimento exige uma adaptação igualmente rápida das empresas, que precisam repensar não apenas como usam IA, mas para que usam.
O uso atual ainda é limitado
Apesar desse avanço, as empresas ainda estão em um estágio inicial de uso. A forma de aplicação predominante continua sendo baseada em prompts, interações simples ou análises pontuais. Quando se observa um uso em contexto ou bases de dados mais robustas, a lógica tende a ser limitada ou reativa a questões operacionais, ou seja, o uso para suporte decisório é muito raro.
Esse tipo de aplicação resolve algumas tarefas, mas não transforma a forma como decisões são tomadas dentro das organizações.
A IA agêntica e a mudança de paradigma
É nesse cenário que surge o conceito de IA agêntica. Em vez de uma única inteligência respondendo a comandos, essa configuração propõe um conjunto de agentes especializados, cada um responsável por uma parte altamente especializada do processo.
Esses agentes trabalham de forma coordenada, guiados por um agente orquestrador que pode ser a própria IA, um agente humano ou uma interação híbrida humano + IA que distribui tarefas, avalia caminhos e consolida respostas. Esse fluxo estruturado permite lidar com problemas complexos com maior precisão e consistência, elevando significativamente o nível de acurácia, ou seja, a possibilidade de acerto, aplicabilidade e viabilidade das respostas obtidas.
Na prática, a IA deixa de ser apenas reativa e passa a operar como um sistema de suporte e apoio à decisão. É uma verdadeira agência de recursos de IA, coordenados para um objetivo bem definido.
De respostas para decisões estruturadas
A principal mudança está no papel da IA. Em vez de responder perguntas isoladas, fazer tarefas pontuais como criar imagens ou vídeos ou fazer pesquisas na web, ela passa a analisar contextos, percorrer etapas e construir respostas de forma muito mais robusta.
Essa transição transforma a IA em um mecanismo de apoio à decisão, capaz de lidar com múltiplas variáveis e entregar recomendações mais consistentes. É a evolução de um modelo pontual para um modelo sistêmico.
O framework para geração de valor
Para que esse modelo funcione, Dr. Marcus Garcia destacou a importância de estruturar a adoção da IA dentro das empresas. Ele propõe um framework baseado em quatro pilares: visão, valor, risco e adoção.
Sem esse alinhamento, iniciativas de IA tendem a falhar, seja por falta de direcionamento, seja por desalinhamento com os objetivos do negócio.
A tecnologia, nesse contexto, é apenas um meio. O foco deve estar no impacto gerado.
O risco do hype e da falta de foco
Outro ponto relevante foi o alerta sobre o hype. Ainda existe uma expectativa de que a IA resolva todos os problemas organizacionais de forma imediata.
Na prática, sem cultura, priorização e clareza estratégica, mesmo os melhores projetos não geram resultado. A recomendação é começar com poucos casos, bem definidos, e evoluir de forma consistente.
Cada abordagem tem seu papel
Na palestra o Dr. Marcus Garcia também reforçou que não existe uma única forma de usar IA. Cada abordagem atende a um tipo de necessidade e todas têm sua aplicabilidade dependendo do contexto
Assim, prompts são úteis para interações diretas, perguntas pontuais e rápidas de baixa complexidade. Já o RAG (Retrieval-Augmented Generation) permite ampliar o acesso a contextos mais elaborados, permitindo, por exemplo, obter insights a partir de relatórios de várias páginas. Ferramentas de automação como o n8n, por sua vez, conectam processos operacionais dentro de uma lógica geralmente “engessada”, muito boa para ações cujos resultados esperados são pré-definidos. Já com a IA agêntica, o que se destaca é a possibilidade de orquestração informacional quando o objetivo é analisar, decidir e gerar valor de forma estruturada para suporte efetivo ao tomador de decisão em nível efetivamente cognitivo.
O erro que mais se observa pelas empresas que buscam incluir IA no seu repertório de ferramentas, está em tentar resolver todos os problemas com a mesma abordagem.
O futuro: mais autonomia e mais eficiência
Um ponto importante foi a possibilidade de operar agentes com modelos locais, menores e especializados. Isso reduz custos, aumenta controle e permite trabalhar com dados sensíveis de forma mais segura.
Esse movimento indica um futuro em que a IA será mais acessível, mais eficiente e mais integrada à operação das empresas.
Conclusão
A principal mensagem da palestra do Dr. Marcus Garcia é que a discussão sobre IA precisa subir de patamar. Não se trata mais de perguntar como usar a tecnologia, mas como estruturá-la para gerar valor efetivo ao negócio das empresas e ao processo decisório, ou seja, no apoio a quem precisa tomar decisões complexas o tempo todo.
Isso envolve clareza de objetivos, governança, escolha adequada de abordagem e alinhamento com o negócio.
A IA agêntica representa um passo importante nessa direção, abrindo espaço para uma nova geração de aplicações mais inteligentes, mais estratégicas e mais conectadas à realidade das empresas.
Serviço
O Prof. Dr. Marcus Garcia, disponibiliza uma versão de teste e exploração de IA Agêntica. Caso tenha interesse em conhecer mais e testar na prática o conceito aplicado, a solicitação de acesso pode ser feita a partir de seu portal em https://marcusgarcia.com.br/.