Inovação, P&D e IA: o caso de sucesso da Klabin

Inovação, P&D e IA: o caso de sucesso da Klabin

No dia 27 de novembro, durante o evento <Re>conectar, realizado no Hub Cerrado em Goiânia, a Klabin apresentou um dos cases mais inspiradores do encontro. Sob o tema “Inovação, P&D e IA – o caso de sucesso da Klabin”Arlete Tavares Almeida, Coordenadora de Inovação e P&D, e Ygor Brito, Analista de Inovação, compartilharam como a maior produtora e exportadora de papéis para embalagens do Brasil está modernizando seus processos internos por meio da inteligência artificial. 

A Klabin é uma empresa centenária, com atuação integrada nas principais cadeias de alimentos, bebidas, indústria e bens de consumo no Brasil, e presença consolidada no mercado internacional em soluções de base florestal. São 23 fábricas em operação, mais de 18 mil colaboradores e uma cadeia produtiva robusta que depende continuamente de inovação para manter competitividade e sustentabilidade. 

Nesse contexto, Arlete e Ygor apresentaram como a IA tem ajudado a reduzir atritos, ampliar a participação dos colaboradores e tornar P&D e inovação processos mais eficientes e estratégicos. 

 

Dois programas estruturantes, desafios semelhantes

A área organiza sua atuação em cinco frentes: gestão de projetos, fomento à inovação, propriedade intelectual, intraempreendedorismo e inovação aberta. As soluções de IA foram implementadas transversalmente, com aplicação no processo de fomento (Lei do Bem) e no programa de intraempreendedorismo Plante Sua Ideia. 

Embora voltados a finalidades distintas, ambos enfrentavam desafios operacionais convergentes, especialmente na coleta, qualificação e tratamento das informações recebidas. 

Colaboradores tinham dificuldade em traduzir experiências práticas em textos detalhados. Por outro lado, os times responsáveis pela avaliação perdiam tempo tentando interpretar propostas mal descritas, o que atrasava processos e aumentava a carga operacional. 

Foi nesse ponto que a Klabin decidiu adotar inteligência artificial para fortalecer suas iniciativas. 

 

Lei do Bem: IA para transformar complexidade em clareza

A Lei do Bem oferece benefícios fiscais relevantes, desde que o projeto atenda a critérios estritos de enquadramento técnico e comprovação de inovação. Para que um projeto seja elegível, é preciso comprovar inovação, descrever esforço técnico, detalhar equipe, organizar despesas e demonstrar, de forma clara, que a empresa não apenas comprou uma tecnologia, mas desenvolveu conhecimento novo. 

Tradicionalmente, o processo era lento, exigia entrevistas complementares e dependia muito da habilidade de escrita dos colaboradores. 

A Klabin buscou uma solução que pudesse tornar essa etapa mais fluida. A empresa implementou um chatbot conversacional que orienta o colaborador a descrever seu projeto de forma mais precisa. Em vez de enfrentar formulários rígidos, a pessoa interage com o assistente, que faz perguntas, solicita detalhes relevantes e ajuda a estruturar o texto no padrão requerido pela legislação. 

Do ponto de vista da gestão, isso trouxe ganhos imediatos.
Os projetos passaram a chegar mais completos, as análises se tornaram mais consistentes e a etapa de elegibilidade ficou mais ágil e menos suscetível a lacunas. Esse primeiro passo abriu espaço para explorar novas automações dentro do processo de P&D. 

 

Plante Sua Ideia: IA como ponte entre quem vive o problema e quem precisa avaliá-lo

Enquanto a Lei do Bem demandava clareza técnica, o programa Plante Sua Ideia precisava resolver outro desafio: como aproximar o conhecimento prático da operação das comissões que avaliam e implementam ideias? 

O programa recebe contribuições de toda a organização. As ideias podem nascer no chão de fábrica, nas áreas de engenharia, nas equipes administrativas ou na interface com clientes e fornecedores. O desafio recorrente é converter conhecimento tácito, acumulado na prática, em registro formal e estruturado. 

Foi nesse cenário que a Klabin contratou o MatchIAs, solução da Match<IT>, para apoiar a evolução do programa. 

O MatchIAs atua como uma ponte inteligente em diversas etapas. Na inscrição, conversa com o colaborador, orienta a escrita, faz perguntas-chave e transforma explicações informais em descrições completas e estruturadas. Esse apoio reduz o esforço cognitivo de quem submete e aumenta a precisão da informação recebida. 

Nas fases seguintes, o MatchIAs organiza as ideias, sugere categorias, encontra similaridades com propostas registradas em outras unidades e até apoia na estimativa inicial de ROI, um ponto historicamente sensível no processo de avaliação. 

O resultado é um funil de inovação mais leve, mais claro e mais eficiente.
A IA não substitui as comissões, mas qualifica o processo. As equipes passam a concentrar seu tempo na análise estratégica e no potencial da ideia, e não na tentativa de entender textos incompletos. 

Para Arlete e Ygor, o MatchIAs abriu uma nova fase do programa, democratizando ainda mais a participação e fortalecendo a cultura de inovação dentro da companhia. 

 

Uma jornada guiada pela integração entre pessoas, tecnologia e cultura

Os dois palestrantes reforçaram que nenhum dos projetos de IA começou como tecnologia pela tecnologia. Eles surgiram de dores reais: dificuldade de comunicação, excesso de retrabalho, informações mal descritas e longos ciclos de análise. 

A IA foi adotada como ferramenta para viabilizar processos, não para complexificá-los.
O sucesso do case da Klabin está nessa combinação: tecnologia que respeita o humano, cultura que evolui com apoio digital e processos que ficam mais inteligentes sem perder a essência colaborativa. 

 

Conclusão: quando IA habilita a inovação que já existe

A apresentação deixou claro que a base institucional já estava consolidada. A inteligência artificial foi implementada como vetor de eficiência e escala, ampliando a capacidade de triagem, organização e qualificação das informações, com impacto direto na qualidade das decisões. 

O case demonstra que IA tem impacto real quando atua onde existe gargalo, repetição ou dificuldade de comunicação. E mostra que mesmo empresas centenárias podem avançar de forma ágil quando unem cultura, processos e tecnologia.