O futuro dos negócios é agentic: o que aprendemos no WebSummit Lisboa sobre a nova era da inteligência corporativa

O futuro dos negócios é agentic: o que aprendemos no WebSummit Lisboa sobre a nova era da inteligência corporativa

No WebSummit Lisboa, uma das vozes mais respeitadas em Inteligência Artificial — Babak Hodjat, criador da tecnologia de linguagem natural que deu origem à Siri e hoje Chief AI Officer da Cognizant — trouxe uma provocação interessante: estamos entrando em um novo estágio da IA corporativa. Um estágio em que ela não apenas entende. Ela faz. 

Esse movimento tem um nome: era agentic. E não se trata de mais um jargão tecnológico, mas de uma mudança estrutural na forma como empresas vão operar nos próximos anos. Quem ainda enxerga IA apenas como um chatbot ou um assistente simpático está prestes a ficar para trás. 

Segundo Hodjat, “a grande virada não está em modelos maiores, mas em inteligências que cooperam”. E essa simples frase resume um deslocamento significativo: sair da IA que responde para a IA que atuadecidecoordena e, principalmente, colabora com outras inteligências, sejam humanas ou digitais. 

 

O que significa viver em um mundo agentic

Para entender a dimensão da proposta, vale simplificar. Um agente de IA não é apenas um algoritmo que gera textos, imagens ou previsões. Ele é uma entidade digital capaz de: 

  • interpretar uma situação, 
  • tomar iniciativa, 
  • acessar ferramentas ou dados, 
  • executar tarefas concretas, 
  • validar o próprio trabalho 
  • e interagir com outros agentes quando necessário. 

Se um modelo tradicional responde “como fazer”, um agente simplesmente faz. 

Multiplique isso por dezenas de agentes especializados e você tem um sistema multiagente, um ecossistema em que inteligências digitais trabalham juntas como um time. Não é exagero dizer que esse modelo inaugura um novo tipo de força de trabalho: times híbridos formados por pessoas e colegas digitais. 

Como o próprio Hodjat provoca: “Quando você conecta agentes, não está apenas automatizando tarefas, está construindo comportamento coletivo.” 

Do assistente que responde ao colega digital que entrega

A palestra também recuperou um ponto histórico interessante. Quando a Siri surgiu, trouxe ao mundo a ideia de que máquinas podiam conversar. Mas sua lógica era limitada: entender um comando, devolver uma resposta, executar uma ação simples. Ela não aprendia com o contexto, não cruzava informações, não criava planos. 

Hoje, os avanços nos modelos de linguagem e na capacidade de executar código criaram uma nova categoria de agentes, capazes de: 

  • montar relatórios, 
  • orquestrar fluxos complexos, 
  • analisar cenários, 
  • preencher lacunas de informação, 
  • e operar em cadeia com outros agentes. 

O salto não é funcional, chega a ser filosófico.
É como sair de uma calculadora e chegar a um estagiário proativo. Depois, a um analista sênior. E logo, a um time inteiro de especialistas digitais operando lado a lado. 

Hodjat reforça isso ao dizer que “a colaboração entre inteligências é o que realmente aproxima as empresas do futuro da IA, muito mais do que qualquer corrida por modelos maiores”. 

 

E o que isso tem a ver com AGI?

AGI (inteligência artificial geral) ainda é um horizonte distante, em que máquinas poderiam executar qualquer tarefa cognitiva como um humano. Mas sistemas multiagentes criam algo extremamente valioso para esse caminho: inteligência distribuída. 

Em vez de uma IA monolítica que sabe tudo, temos várias IAs especializadas que cooperam.
Isso não é AGI, mas é um passo decisivo rumo à competência ampla, à coordenação complexa e ao raciocínio composto. 

A pergunta que fica é: sua empresa está preparada para trabalhar com inteligência que aprende, decide e coordena? Ou ainda está tentando “se adaptar” à fase dos chatbots? 

 

E por que isso vai transformar empresas

Sistemas agentic desafiam modelos tradicionais de operação, trazendo efeitos imediatos: 

  1. Processos deixam de depender do tamanho da equipe

Em vez de pensar “preciso contratar mais pessoas”, líderes começam a pensar “posso orquestrar mais agentes”. 

  1. O tempo deixa de ser um gargalo

Agentes não esperam reunião, não esquecem tarefas, não reduzem ritmo. 

  1. Decisões ficam mais embasadas

Agentes conseguem testar dez cenários enquanto um humano testa dois. 

  1. A empresa fica mais inteligente como um organismo

Ou seja: quando um agente aprende, todos aprendem. 

Isso não substitui o talento humano. Libera o talento humano.
É como tirar 500kg das costas da sua equipe para que ela finalmente possa enxergar mais longe. 

A provocação de Babak Hodjat não é futurista. É profundamente prática.
Tanto que empresas brasileiras já começaram a explorar agentes aplicados a problemas corporativos reais. 

No ecossistema da Match<IT>, agentes já vêm sendo usados para: 

  • analisar portfólios, 
  • construir racionais de decisão, 
  • estimar retornos, 
  • reduzir retrabalhos, 
  • guiar processos complexos, 
  • e apoiar times em atividades que antes exigiam horas de operação manual. 

E aqui está o ponto central: não se trata de substituir áreas.
É sobre criar uma camada inteligente que trabalha junto. Uma camada que torna a organização mais clara, mais rápida e mais capaz de tomar decisões estratégicas. 

É uma nova geração de agentes corporativos que começam a integrar governança, dados, priorização e análise em um fluxo coordenado, assim como o futuro agentic descrito por Hodjat. 

Conclusão: agentes não são o futuro do trabalho, são o começo de outra forma de trabalhar

A palestra no WebSummit deixa um recado inquietante: a próxima evolução das empresas não será sobre Adotar IA, mas sobre adotar inteligências no plural. 

Agentes não são ferramentas. Eles são novos parceiros digitais que transformam como operamos, decidimos e inovamos. 

Daqui a alguns anos, olhar para um único chatbot parecerá tão limitado quanto olhar hoje para um celular sem internet. 

O futuro será formado por times híbridos (humanos + agentes) trabalhando lado a lado. 

E talvez a maior pergunta seja esta:
se as empresas estão recebendo colegas digitais, quais serão as empresas que aprenderão a liderá-los?